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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Crónicas de uma vida em comum IV


O restaurante estava vazio à hora do almoço, efeito evidente da crise que o país atravessava.
Talvez por essa razão, a mesa onde Inês, Marta e Alice almoçavam, era alvo de olhares furtivos por parte dosoutros clientes.

- O que é que vamos beber, meninas? Perguntou Alice, enquanto olhava distraidamente para a carta dos vinhos.

Ultimamente era assim. Viva numa ausência permanente. Parecia que nada a interessava embora se esforçasse, extraordinariamente, por parecer e agir com normalidade.

Marta olhou para ela e percebeu o afastamento da amiga. Pensou uma vez mais como haveria de recupera-la. Pensou que fosse mais fácil mas não estava a conseguir...
Alice era uma mulher deslumbrante. Alta e esguia a sua beleza era inquestionável. Mas padecia de uma incapacidade gigantesca de se abrir com alguém, preferia sofrer sozinha e nos últimos tempos era exactamente isso que fazia.

- Muito. Respondeu Marta.
- A mim parece-me bem, volveu Inês.
Riram-se com cumplicidade.
Havia algo de complexo que unia aquelas três mulheres tão diferentes umas das outras. Algo difícil de explicar.

Marta contava com Inês para a ajudar a recuperar Alice, e aquele almoço fora o pretexto ideal.
Como quase sempre, a conversa versava sobre os homens, o amor e sexo e a impossibilidade de conciliar tudo na mesma pessoa.

Marta olhou novamente para Alice e comoveu-se com o contraste entre o sorriso dos seus lábios a tristeza dos seus olhos …

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Telhados Alheios



"(...) pega no telefone e liga para o escritório, diz-lhes que não vou, conta-lhes que preciso de todos os minutos do dia, que 24 horas não chegam, diz-lhes que preciso de matar as saudades antes que elas se atrevam a aparecer.



Enquanto ligas, encho a banheira, deito os sais verdes que deixam a casa a cheirar a spa, vou entrar devagarinho porque a água vai estar muito quente. Hoje não, diz-lhes que sofri de um ataque de melancolia antecipada, que o coração pode parar a qualquer momento e que precisa de repouso.


Quando desligares vem para a banheira.Hoje não, a memória precisa de ser treinada, para que não se esqueça de nenhum dos pontos da geografia humana, quero tocar em cada centímetro de pele, para que os dedos se lembrem nos dias de abstinência, diz-lhes que precisamos de fazer amor, que precisamos de foder, para que os sentidos se alimentem para as noites que ai vêm.


Liga para o escritório e diz que preciso de me encher de afectos, de mimo e gargalhadas, porque o inverno será longo e mais frio do que o costume. Hoje não. Pega no telefone e liga para o escritório…"