O restaurante estava vazio à hora do almoço, efeito evidente da crise que o país atravessava.
Talvez por essa razão, a mesa onde Inês, Marta e Alice almoçavam, era alvo de olhares furtivos por parte dosoutros clientes.
- O que é que vamos beber, meninas? Perguntou Alice, enquanto olhava distraidamente para a carta dos vinhos.
Ultimamente era assim. Viva numa ausência permanente. Parecia que nada a interessava embora se esforçasse, extraordinariamente, por parecer e agir com normalidade.
Marta olhou para ela e percebeu o afastamento da amiga. Pensou uma vez mais como haveria de recupera-la. Pensou que fosse mais fácil mas não estava a conseguir...
Alice era uma mulher deslumbrante. Alta e esguia a sua beleza era inquestionável. Mas padecia de uma incapacidade gigantesca de se abrir com alguém, preferia sofrer sozinha e nos últimos tempos era exactamente isso que fazia.
- Muito. Respondeu Marta.
- A mim parece-me bem, volveu Inês.
Riram-se com cumplicidade.
Havia algo de complexo que unia aquelas três mulheres tão diferentes umas das outras. Algo difícil de explicar.
Marta contava com Inês para a ajudar a recuperar Alice, e aquele almoço fora o pretexto ideal.
Como quase sempre, a conversa versava sobre os homens, o amor e sexo e a impossibilidade de conciliar tudo na mesma pessoa.
Marta olhou novamente para Alice e comoveu-se com o contraste entre o sorriso dos seus lábios a tristeza dos seus olhos …