Inês adorava fazer programas só com as amigas, e aquele jantar tinha sido a cereja no topo do bolo.
Uma sexta feira, de uma semana extremamente difícil.
Quando entrou no carro de Marta, sentou-se no banco de trás, beijou Alice e acendeu um cigarro. No radio estava a passar o "rolling in the deep" da Adele. "Mete mais Alto!!", gritou, e foi o momento Karaoke do dia.
A música ainda não tinha terminado e Marta diminui abruptamente o volume do rádio. "Sabes quem é que hoje também é capaz de ir ao Plateau?! O teu amigo Diogo!".
Naquele momento, Inês sentiu um aperto no estômago...um formigueiro na coluna...uma dormência nas pernas...
"Então?! Mas combinaram alguma coisa?"
"Não propriamente, mas parece que ele tinha coisas combinadas com uns amigos e está a pensar acabar a noite no Plateau...quem é amiga, diz lá?!"
"Caramba Marta! Já me podias ter dito isso mais cedo! Tinha ido a casa mudar de roupa, não achas?"
"Ainda tinhas uma síncope durante a tarde...ahahahahahaha!!"
Diogo era uma paixão antiga de Inês. Conheceram-se há cerca de 6 anos no local de trabalho. Envolveram-se em todos os sentidos, mas as coisas não acabaram bem. Diogo era comprometido e acabou a relação com Inês, na altura em que foi viver com a namorada.
Inês apaixonou-se verdadeiramente por ele e viveram uma relação intensa. As sequelas ainda eram visíveis após tantos anos.
Actualmente Diogo está a trabalhar na mesma empresa que Marta. São amigos inseparáveis e nas conversas de ambas, o nome dele surge com frequência...o que complica o processo de reabilitação.
Inês fez questão de manter contacto com Diogo durante todo este tempo. Podia ter escolhido uma forma mais fácil de superar a situação, deixando simplesmente de lhe falar...mas o Diogo valia a pena...e apesar de não se verem durante anos, mantiveram um contacto regular através de mail e telefone...e a amizade estava consolidada...
Inês ficou surpreendida com a sua reacção perante a hipótese de estar fisicamente com ele nessa noite. Tornou-se agitada, ansiosa e começavam-lhe a surgir imagens de uma noite bem passada, com um final feliz, num hotel qualquer da cidade!
"Larga o telemóvel!" grita Marta, cortando o pensamento da amiga.
"Deixa-a estar com o telemóvel! Que chata! Mas és mãe dela?" resmungou Inês.
Efectivamente, desde que tinha entrado no carro, Alice esteve praticamente calada, enquanto mandava mensagens incessantemente através do telemóvel.
"Chata?! Achas normal estarmos aqui as três e ela sempre agarrada ao telefone?"
"Estaciona o carro e cala-te! O restaurante é aqui e eu quero beber até cair", disse Alice.