
"Quando um actor representa o papel de alguém que está a desmoronar-se, fá-lo com organização e coerência; quando é ele próprio que está a desmoronar-se, e representa o papel do seu próprio fim, isso é outra coisa, uma coisa transbordante de terror e medo. (...) Gritava alto quando acordava a meio da noite e se via ainda aprisionado no papel do homem privado do seu próprio ser, do seu talento e do seu lugar no mundo, um homem desprezível que não era mais do que o somatório dos seus defeitos. De manhã escondia-se na cama durante horas, em vez de se esconder daquele papel, estava simplesmente a representar aquele papel. E, quando por fim se levantava, a única coisa em que conseguia pensar era no suicídio, e não apenas na sua simulação. Um homem que queria viver interpretando o papel de um homem que queria morrer. (...) Tento esquecer-me de mim pelo menos um minuto por hora. Sempre tive a secreta suspeita de que não tinha talento nenhum."
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