BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS

domingo, 30 de outubro de 2011

The roof is on fire

Gatas à solta






















"Olhas-me a direito

fundo como a tua entrada em mim

as mãos nos meus cabelos

em fúria os corpos que se dão

em sim e não

gotas de suor de sémen em saliva


escorrem orgasmos


violentos suaves vorazes


lábios murmurios sussurros


tráfico de almas


sagrado o prazer com que me fustigas o rosto


as nádegas


o oposto


em melodias de anil


em segredo o desejo de sermos fonte

quando a água nos afunda em plano inclinado


a tua sombra sobre mim


rasga-me o ventre com espasmos de gritos roucos

desmaio em voos onde te resgato

de todas as vezes


sempre e cada vez mais dentro dos meus olhos


que me olhas

acaricias-me


s.e.i.o - a - s.e.i.o.


até o mamilo ir de encontro à tua vontade de s(ab)er

vagabundo este amor profundo.


Levanto-me, sorrio ao teu sonho de rei e vou com a musica."


Anamar (pseudónimo)

Sexo? Sim, por favor, mas com história, romance e beijinhos










quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Amante é Sempre o Ultimo a Saber




Descobri, um pouco tarde, que afinal todos os meus livros são
histórias de amor. Só que as daninhas estavam tão bem disfarçadas
que eu próprio não tinha reparado.




Tão sensacional descoberta levou-me a cogitar no seguinte:
e qual será a melhor forma de amar? Carente de modelos reais na vida
humana, decidi procurá-los na natureza. Com a ajuda da televisão,
claro, Canal Odisseia, National Geographic, Canal Panda, essas
coisas. Pode-se lá chegar à natureza, nos dias que correm, senão pela
televisão! Três rolos modelos logo me saltaram à vista: o Amor do
Louva-a-deus; o Amor do Cisne; o Amor do Urso Polar.




Após alguma esmiuçação, concluí que qualquer um me parece
bem, e tem as suas vantagens e desvantagens.





No romance do louva-a-deus, a fêmea devora o macho depois da
cópula. É natural, toda a gente sabe que a gravidez estimula o apetite.
E seria bem pior se ela o devorasse antes da consumação.




O cisne acasala para a vida. É bonito. Lembra certos parzinhos
que encontramos sobretudo na noite boémia, muito perfeitos, muito
encapsulados, o mundo é deles, o mundo são eles. Gosto, mas como
nunca experimentei sinto-me sempre um bocadinho do outro lado
da vitrina, a definhar de inveja.




Pronto, confesso. O que, esse sim, me toca profundamente é
o amor do urso polar. É esquivo, dura pouco – pelo menos a parte do
encontro.




Urso polar e ursa polar namoram e acasalam brevemente,
e logo se apartam, cada um para seu lado, para todo o sempre,
a fêmea talvez com uma cria, o macho continuando a sua caminhada,
glaciares fora, de nenhures em direcção a nenhures.




Vai solitário e triste, o nosso urso? Talvez. Eu gosto de pensar que
vai de coração cheio, e que a brevidade do encontro é compensada
pela intensidade da memória. Tanto quanto sei, não há ursos com
Alzheimer.





Rui Zink O amante é sempre o último a Saber

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Em telhados alheios




«Pense em mim por vezes como alguém a quem a lição da vida foi contada muito asperamente, mas que a escutou com coragem; como alguém que de facto o amava, mas que se odiava a si mesma tão profundamente que o seu amor lhe era odioso; como alguém que o mandou embora apesar de querer ficar com ele para sempre; que não tinha melhor esperança do que esquecê-lo, nem medo maior do que ser esquecida.»




in "Olalla"




Robert Louis Stevenson, "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde e outros contos", Assírio & Alvim, 2007

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Crónicas de uma vida em comum III



- Vieste aqui para falar ou para foder?

Marta olhava desafiadoramente para
Miguel. O cabelo desgrenhado, a pintura esborratada e a roupa por despir
deixavam-na com um ar selvagem e um pouco louco.
Estava viciada naqueles jogos.

Nunca na vida, Marta se havia
comportado assim. Tinha tido uma educação católica e toda a sua vida havia sido
pautada por rígidos princípios.
Princípios que a levaram, por diversas
vezes, a deixar tudo para trás e a começar de novo. Resiliente, forte,
obstinada.
Mas tinha-se cansado de ser honrada e
fiel aqueles princípios que quase acabaram com ela e com aqueles que mais
amava.
Era uma mulher intensa. Amava e odiava com
a mesma intensidade, não conhecia outra forma de ser. Era jovem, bonita e bem-sucedida
profissionalmente e tinha chegado a hora de devorar o que a vida tinha de
melhor.
Agora descobrira Miguel. Um homem que
ela sabia que nunca se iria apaixonar por ela e que de algum modo conseguia
lidar com aquela sua revolta que dizimava tudo em seu redor.
O sexo entre ambos era uma coisa instintiva.
Quando estavam juntos ficavam reduzidos ao que a espécie humana tem de mais
primário. Valia tudo.
Para Marta aqueles eram momentos de
verdadeiramente catárticos, em que ela se transformava num ser sôfrego e
exigente. Humilhava-o sem dó nem piedade e deliciava-se com uma ar rendido com
que ele olhava para ela naquelas alturas.

- Espero que tenhas melhorado a tua
ténica oral…da última vez deixas-te muito a desejar.

E com isto mergulharam, uma vez mais
naquela luta corpo a corpo. Medindo forças e tentando marcar território.
Por momentos Marta lembrou-se de Jaime
e de como com ele o sexo era diferente. Mas rapidamente afastou aquele pensamento
angustiante e tornou-se a concentrar em Miguel e no prazer que queria ter.
Afinal de que lhe havia servido tanto
amor?

sábado, 15 de outubro de 2011

Crónicas de uma vida comum II










Naquela noite Inês resolveu deitar-se mais cedo.

Sentia o coração a bater mais do que aquilo que conseguia suportar. A ansiedade era muita e não conseguia concentrar-se em absolutamente nada. As séries que passavam na TV já tinham sido vistas e o cérebro não desligava.

Paulo estava absorto nos seus pensamentos enquanto terminava um relatório importante para apresentar no dia seguinte na empresa onde trabalhava.

Inês precisava de se isolar e tentar controlar o fogo que a consumia.

Amanhã era um grande dia e tinha de rever todos os pormenores para que nada corresse mal.

Em 15 anos era o primeiro fim-de-semana que passava longe de Paulo.

A paixão muitas vezes leva-nos a correr riscos, a cortar com as nossas rotinas e a fazer coisas impensáveis.

Amava o Paulo incondicionalmente, mas não era a primeira vez que se apaixonava por outra pessoa. Amor é uma coisa, paixão é outra. Inês sabia perfeitamente a fronteira entre estes sentimentos e por isso queria aproveitar o melhor de cada um.

Amanhã ia para Madrid com o Marco. Tinha planeado tudo com alguma antecedência. Marco ia a uma conferência e Inês não podia perder a oportunidade de o acompanhar e aproveitar tudo o que a vida tem para lhe dar. Nunca tinha conseguido virar as costas a um desafio, e esta não seria uma excepção.

Marco tinha-lhe oferecido aquela viagem. Inês achava que o tinha feito com a expectativa de que após o fim-de-semana ela deixasse o marido e se atirasse de cabeça naquela relação.

Marco era o homem mais inteligente que alguma vez conhecera. Com apenas 25 anos tinha terminado o mestrado em Arquitectura e estava a trabalhar numa das melhores empresas portuguesas do ramo. No entanto, a sua ambição não o deixava perder-se naquilo que tinha conseguido da vida. Marco queria mais...muito mais. Queria uma vida sem horários, sem limitações...queria acordar e ir fazer surf para o Estoril...queria ter tempo para si...queria ganhar muito dinheiro com poucas horas de trabalho. Marco queria o melhor da vida...e isso incluía-a.

Inês sabia que o seu futuro nunca seria ao lado de Marco, apesar de se sentir bem com o facto de ter um homem como ele, completamente apaixonado, disposto a tudo para a conquistar.

Para além de inteligente, Marco era também o homem mais bonito que alguma vez vira. Não se importava de ficar horas a contemplar a beleza do seu rosto...a profundidade do azul dos seus olhos. Inês era obcecada por olhos azuis.



O sexo era absolutamente fantástico! Ele conhecia o corpo de Inês ao pormenor...percorria-o como se de um mapa se tratasse. Inês já não vivia sem aquilo...precisava daquele sexo como de oxigénio para respirar!

O fim-de-semana que se avizinhava ia ser muito bem aproveitado, até porque sabia que ia ser o último.

Ajeitou a cabeça na almofada, tendo o cuidado de não pressionar demasiado a pele dos olhos, prevenindo assim o surgimento de rugas indesejadas, e mentalmente reviu tudo o que tinha na mala de viagem. Se aquele fim-de-semana ia ser o último, tinha de ser absolutamente perfeito. Inês tinha preparado algumas surpresas para os dias seguintes.

Ouviu o Paulo a subir as escadas e fechou os olhos...controlou a respiração e fez os possíveis para que o marido pensasse que estava a dormir.

Inês tinha dificuldade em olhar o marido nos olhos desde que se envolvera com Marco. A culpa é caustica...e sabia que dificilmente ia conseguir lidar com ela muito mais tempo. O marido era a única coisa que a fazia prescindir de Marco. Mas essa decisão já estava tomada e portanto restavam-lhe apenas 48 horas, que não se compadeciam com qualquer tipo de mau estar.

Sentiu o marido a entrar no quarto e a dirigir-se a janela. Talvez fosse fumar. Inês já não se lembrava bem dos hábitos de Paulo. Não tem tido tempo, nem cabeça para entrar na sua vida.

Quando Paulo deslizou para dentro dos lençóis, Inês abriu os olhos inadvertidamente e encarou o marido de frente. Paulo tinha mágoa estampada no rosto. Talvez soubesse que Inês não ia para Madrid em trabalho como lhe fizera crer. Talvez soubesse que Inês tinha outra pessoa. Talvez a amasse tanto que não a condicionasse nas suas escolhas e lhe desse a liberdade de viver de acordo com as suas próprias regras.

Abraçou o marido com amor. Com muito amor. E naquele turbilhão emocional, lá conseguiu encontrar espaço para adormecer.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Crónicas de uma vida comum I






Lá fora a noite dorme silenciosa.


A madrugada aproxima-se devagar. as estrelas observam curiosas, como se estudassem matematicamente a lógica do Universo. De alguma forma, Paulo sente-se seguro com a presença permanente das estrelas...como se elas fossem as únicas responsáveis por manter a ordem e a estabilidade no seu dia a dia. Sim, Paulo não tem dúvida que o destino está escrito nas estrelas.


Abre lentamente a janela do quarto. É um homem jovem, demasiado jovem para carregar aquela angústia no peito.


Paulo não consegue explicar a origem daquele sentimento...como se carregasse o mundo nas próprias costas...como se uma força desconhecida o impedisse de olhar de frente para o lado bom da vida...uma força que o obriga a acomodar-se ás rotinas e à simplicidade do seu dia a dia.


Paulo desconhece a explicação desse estado de espírito. Mas sente-o. Convive intimamente com ele. Há demasiado tempo talvez.


Paulo é um homem novo que se sente velho.


É culto, inteligente, racional. Capaz de ponderar todas as suas decisões e com coragem para seguir sempre o caminho certo. Acha que tem tido sorte na vida.

Não é um homem audaz. Confia pouco nas suas capacidades. Tem pouca vontade de testar os seus limites.


Naquela janela, Paulo pensa no Amor. tende mais uma vez a racionalizar. Essa é a melhor forma de permanecer na sua zona de conforto.


Na cama, Inês, continua a dormir, alheia aos pensamentos do marido.


Ele observa-a por uns instantes, absorto por um misto de carinho e pena. Inês é uma mulher extraordinária que o acompanha desde sempre. é inteligente, companheira, confiável, e de alguma forma Paulo admira-a e respeita-a.


Mas Inês está longe de ser a mulher que Paulo idealiza. Está longe de corresponder aos seus desejos de menino adolescente.


Inconscientemente, Paulo sonha com uma mulher apaixonada, divertida, selvagem, independente...que o desafie, que o confronte, que lhe tire o fôlego...que lhe mostre diariamente que a vida não é só cinzenta.


Há muito tempo que Inês não o deixa suspenso na própria respiração.


Paulo não sabe se essa mulher existe. Se as estrelas que o observam lhe reservam alguma surpresa.


Volta a observar Inês...enche o peito com o ar refrescante da madrugada e sente-se purificado. Fecha a janela.


Paulo deita-se e inesperadamente Inês acorda sobressaltada e sorri-lhe. Envolve-o com os seus braços. Acolhe-o e Paulo sente-se novamente resignado à sua zona de conforto. O seu espírito continua a vaguear, para lugares inóspitos...lugares que só existem nos sonhos de um homem conformado.













segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Haja alguem que me perceba!








Não pode haver amizade entre homem e mulher.
Pode haver paixão, hostilidade, adoração, amor, mas não amizade.



(Oscar Wilde)

domingo, 9 de outubro de 2011

Stupid Little Thing Called Love






A Marta (nome fictício) pensa que o amor é fodido.

Mas por muito que respeite a Marta, o amor não é fodido.
(O desamor, esse sim, é do pior que há.)

Eu não posso chegar à vida da Marta, assim de repente e dizer-lhe que aquilo que hoje a magoa, será risível daqui a uns anos. Nem ela aceitaria isso. Existem dores que aos 10, 20 ou 40 anos, nos enchem os olhos de lágrimas e nos destroem o coração.

Eu podia tentar explicar à Marta que já passei pelo mesmo, que isto não é nada, que a dor que hoje lhe atravessa o peito, amanhã será apenas uma lembrança.

Não posso dizer-lhe que a sensação de culpa que hoje a consome amanhã será uma pequena cicatriz no peito.

Eu não posso chegar à vida da Marta e estragar-lhe a descoberta, que como qualquer descoberta terá de ser saboreada, lutada, sofrida

Não posso dizer-lhe que aquilo que sente é apenas uma dor...e que daqui a uns anos serão lembranças...umas vezes doces...outras amargas. Que o que não nos mata torna-nos mais fortes...dá-nos trunfos...ensina-nos a identificar o perigo e a virar rapidamente as costas às pessoas e situações que mais tarde ou mais cedo nos irão dilacerar ...

Podia dizer-lhe que Amor é muito mais (e diferente) que aquela sensação vertiginosa, de quem conduz a 200 na auto-estrada, de quem está à beira do precipício, de quem faz o looping na monta russa de olhos abertos...

Não há nada mais importante na vida que a serena sensação de termos ao nosso lado a pessoa que nos ama incondicionalmente...que estará sempre disponível para nos dar a mão quando não nos conseguimos levantar...que gosta tanto dos nossos defeitos como das nossas qualidades...que quer construir um futuro connosco e ao nosso lado...que está disposta a encarar qualquer desafio para garantir a nossa felicidade...

Mas eu não posso dizer isto à Marta...


Aquela dor é dela, é grande e é mesmo fodida. Não posso dizer-lhe que tome um comprimido ou um antibiótico...não posso dizer-lhe que só o tempo irá curá-la. É o processo...um processo que nos fode os dias...

Não posso dizer-lhe isso...porque ela iria olhar para mim, de sobrancelha erguida e iria achar que eu não percebo nada de Amor.

Não posso…porque estou desconfiada que a Marta tem razão…

quarta-feira, 5 de outubro de 2011