Naquela noite Inês resolveu deitar-se mais cedo.
Sentia o coração a bater mais do que aquilo que conseguia suportar. A ansiedade era muita e não conseguia concentrar-se em absolutamente nada. As séries que passavam na TV já tinham sido vistas e o cérebro não desligava.
Paulo estava absorto nos seus pensamentos enquanto terminava um relatório importante para apresentar no dia seguinte na empresa onde trabalhava.
Inês precisava de se isolar e tentar controlar o fogo que a consumia.
Amanhã era um grande dia e tinha de rever todos os pormenores para que nada corresse mal.
Em 15 anos era o primeiro fim-de-semana que passava longe de Paulo.
A paixão muitas vezes leva-nos a correr riscos, a cortar com as nossas rotinas e a fazer coisas impensáveis.
Amava o Paulo incondicionalmente, mas não era a primeira vez que se apaixonava por outra pessoa. Amor é uma coisa, paixão é outra. Inês sabia perfeitamente a fronteira entre estes sentimentos e por isso queria aproveitar o melhor de cada um.
Amanhã ia para Madrid com o Marco. Tinha planeado tudo com alguma antecedência. Marco ia a uma conferência e Inês não podia perder a oportunidade de o acompanhar e aproveitar tudo o que a vida tem para lhe dar. Nunca tinha conseguido virar as costas a um desafio, e esta não seria uma excepção.
Marco tinha-lhe oferecido aquela viagem. Inês achava que o tinha feito com a expectativa de que após o fim-de-semana ela deixasse o marido e se atirasse de cabeça naquela relação.
Marco era o homem mais inteligente que alguma vez conhecera. Com apenas 25 anos tinha terminado o mestrado em Arquitectura e estava a trabalhar numa das melhores empresas portuguesas do ramo. No entanto, a sua ambição não o deixava perder-se naquilo que tinha conseguido da vida. Marco queria mais...muito mais. Queria uma vida sem horários, sem limitações...queria acordar e ir fazer surf para o Estoril...queria ter tempo para si...queria ganhar muito dinheiro com poucas horas de trabalho. Marco queria o melhor da vida...e isso incluía-a.
Inês sabia que o seu futuro nunca seria ao lado de Marco, apesar de se sentir bem com o facto de ter um homem como ele, completamente apaixonado, disposto a tudo para a conquistar.
Para além de inteligente, Marco era também o homem mais bonito que alguma vez vira. Não se importava de ficar horas a contemplar a beleza do seu rosto...a profundidade do azul dos seus olhos. Inês era obcecada por olhos azuis.
O sexo era absolutamente fantástico! Ele conhecia o corpo de Inês ao pormenor...percorria-o como se de um mapa se tratasse. Inês já não vivia sem aquilo...precisava daquele sexo como de oxigénio para respirar!
O fim-de-semana que se avizinhava ia ser muito bem aproveitado, até porque sabia que ia ser o último.
Ajeitou a cabeça na almofada, tendo o cuidado de não pressionar demasiado a pele dos olhos, prevenindo assim o surgimento de rugas indesejadas, e mentalmente reviu tudo o que tinha na mala de viagem. Se aquele fim-de-semana ia ser o último, tinha de ser absolutamente perfeito. Inês tinha preparado algumas surpresas para os dias seguintes.
Ouviu o Paulo a subir as escadas e fechou os olhos...controlou a respiração e fez os possíveis para que o marido pensasse que estava a dormir.
Inês tinha dificuldade em olhar o marido nos olhos desde que se envolvera com Marco. A culpa é caustica...e sabia que dificilmente ia conseguir lidar com ela muito mais tempo. O marido era a única coisa que a fazia prescindir de Marco. Mas essa decisão já estava tomada e portanto restavam-lhe apenas 48 horas, que não se compadeciam com qualquer tipo de mau estar.
Sentiu o marido a entrar no quarto e a dirigir-se a janela. Talvez fosse fumar. Inês já não se lembrava bem dos hábitos de Paulo. Não tem tido tempo, nem cabeça para entrar na sua vida.
Quando Paulo deslizou para dentro dos lençóis, Inês abriu os olhos inadvertidamente e encarou o marido de frente. Paulo tinha mágoa estampada no rosto. Talvez soubesse que Inês não ia para Madrid em trabalho como lhe fizera crer. Talvez soubesse que Inês tinha outra pessoa. Talvez a amasse tanto que não a condicionasse nas suas escolhas e lhe desse a liberdade de viver de acordo com as suas próprias regras.
Abraçou o marido com amor. Com muito amor. E naquele turbilhão emocional, lá conseguiu encontrar espaço para adormecer.
Que blog fabuloso, ainda o estou a ler avidamente!
ResponderEliminarParabéns, voltarei mais vezes :)
Beijinho,
Sofia
www.incondicionalmentesofia.blogspot.com
Os textos estão cada vez melhor...continua com esse espeirito.
ResponderEliminarbjinho
T.