A Marta (nome fictício) pensa que o amor é fodido.
Mas por muito que respeite a Marta, o amor não é fodido.
(O desamor, esse sim, é do pior que há.)
Eu não posso chegar à vida da Marta, assim de repente e dizer-lhe que aquilo que hoje a magoa, será risível daqui a uns anos. Nem ela aceitaria isso. Existem dores que aos 10, 20 ou 40 anos, nos enchem os olhos de lágrimas e nos destroem o coração.
Eu podia tentar explicar à Marta que já passei pelo mesmo, que isto não é nada, que a dor que hoje lhe atravessa o peito, amanhã será apenas uma lembrança.
Não posso dizer-lhe que a sensação de culpa que hoje a consome amanhã será uma pequena cicatriz no peito.
Eu não posso chegar à vida da Marta e estragar-lhe a descoberta, que como qualquer descoberta terá de ser saboreada, lutada, sofrida
Não posso dizer-lhe que aquilo que sente é apenas uma dor...e que daqui a uns anos serão lembranças...umas vezes doces...outras amargas. Que o que não nos mata torna-nos mais fortes...dá-nos trunfos...ensina-nos a identificar o perigo e a virar rapidamente as costas às pessoas e situações que mais tarde ou mais cedo nos irão dilacerar ...
Podia dizer-lhe que Amor é muito mais (e diferente) que aquela sensação vertiginosa, de quem conduz a 200 na auto-estrada, de quem está à beira do precipício, de quem faz o looping na monta russa de olhos abertos...
Não há nada mais importante na vida que a serena sensação de termos ao nosso lado a pessoa que nos ama incondicionalmente...que estará sempre disponível para nos dar a mão quando não nos conseguimos levantar...que gosta tanto dos nossos defeitos como das nossas qualidades...que quer construir um futuro connosco e ao nosso lado...que está disposta a encarar qualquer desafio para garantir a nossa felicidade...
Mas eu não posso dizer isto à Marta...
Aquela dor é dela, é grande e é mesmo fodida. Não posso dizer-lhe que tome um comprimido ou um antibiótico...não posso dizer-lhe que só o tempo irá curá-la. É o processo...um processo que nos fode os dias...
Não posso dizer-lhe isso...porque ela iria olhar para mim, de sobrancelha erguida e iria achar que eu não percebo nada de Amor.
Não posso…porque estou desconfiada que a Marta tem razão…
Sem comentários:
Enviar um comentário