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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Será?





"Será que queres?
Ser-me o perfeito banquete cheio de adrenalina
Em que tantas vezes me é premente a fuga da rotina?
Será que queres?
Ser o meu lascivo hiato de tempo
A chama num eleito momento
Amor para todo o sempre?

Será que queres?
Ser a minha diversão solta e libertina,
E minha ânsia de desejo cristalina?
Será que queres?
Ser o meu irracional desejo sem freio
Que vai de encontro ao meu anseio?


Será que queres
Ser-me eterno?
Pensa bem.
Porque se queres,
Vamos ser os dois
Amor por inteiro


Pensa se queres
Porque quando me for
Vais continuar a sentir-me na pele

As memórias de mim vão envolver-te.
E sabes como? Em puro êxtase.
E sabes porquê? Porque fui eu que as provoquei:
Pelo meu toque e sorriso,
Pelo meu jeito sem juizo.

E vou permanecer-te no sonho,
Em palpitações,
No tempo e contratempo.

Vais ouvir-me no silêncio.
Vais sentir a mais perturbadora das dicotomias:
Sentir a vida vazia sem mim, e ao mesmo tempo cheia de nós.

É que vou ficar-te. Para sempre vou ficar-te.
Entranhada na alma.
No coração. No pensamento.
E na mente,
Vou ficar-te continuamente.
E sabes porquê? Porque sabes que comigo conheceste a felicidade,
E sem mim,
Essa ficará sempre pela metade."

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Meu Deus...a minha vida já foi tão boa!












“Foder amor. Foder-te como à mais puta das putas e amar-te como à mais única das amadas. Foder amor. Chamar-te puta e dizer que te amo. Espancar-te o sexo e afagar-te o beijo. O doce e a fera, a treva e o raio. E só assim, entre um grito e um afago, foder-te com amor.”




Pedro Chagas Freitas






sábado, 10 de dezembro de 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Momentos Partilhados




Naquela tarde falámos do amor e do medo...de partir e de ficar...

Disseste-me que não tinhas coragem de partir sozinha...e os teus grandes olhos azuis fixaram-se em mim paralisados...

É incrível o poder que o medo do desconhecido exerce sobre nós...incrível e injustificável...afinal quem parte, não larga tudo...vai simplesmente à procura de tudo!

No teu caso, esta ambiguidade torna-se ainda mais curiosa. A tua vida tem sido pautada pela mudança...e apesar de todo o teu percurso, de tudo o que conseguiste quando decidiste virar costas, continuas a afirmar reiteradamente "...eu larguei tudo...vim-me embora sem nada..."

Não é fácil decidir "partir". É mais fácil ficar dentro da nossa bolha, na nossa zona de conforto.

Muitas vezes sujeitamo-nos a dias cinzentos durante décadas e justificamos (a maioria das vezes a nós próprios) a nossa teimosia como sendo o resultado de um grande amor. A nossa resiliência (medo), leva-nos a aceitar comportamentos, gestos e atitudes que nos magoam e nos destroem. Sujeitamo-nos a rupturas e humilhações constantes, descemos e batemos no fundo. Muitas vezes não conseguimos sair de lá. E quanto mais descemos, mais difícil nos parece a subida.

O medo e o amor às vezes confundem-se. Dá um medo terrível começar de novo. Voltar a confiar, a acreditar. Os cheiros, os sons, os sabores, o imprevisto.

O medo quando mascarado de amor, muitas vezes é designado por "segurança"...um emprego estável que não suportamos, uma casa, feita de cimento e betão armado, de onde nunca sairíamos porque supostamente é lá que guardamos as nossas coisas (quando o importante são as vivências, e essas levamo-las connosco), uma pessoa que supostamente conhecemos e prevemos, mas com a qual só trocamos duas ou três palavras numa mesa de restaurante, no aniversário de casamento, uma cor que nunca ousaríamos vestir, porque não está na moda, uma cidade que nunca visitaríamos por não dominarmos a língua.

Eu tenho mesmo muito medo. Eu percebo que as pessoas tenham medo. Mas naquela tarde, ao falar contigo, tive a certeza de que nunca iria permitir que o meu medo fosse maior que o meu amor. E o meu amor tem de ser livre, mutável, flexível, imprevisível.

E por isso, no dia em que tiver de partir por amor, irei faze-lo sem hesitar. E sei que tu também.
Porque para nós o Amor tem asas...não tem raízes...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Crónicas de uma vida em comum IV


O restaurante estava vazio à hora do almoço, efeito evidente da crise que o país atravessava.
Talvez por essa razão, a mesa onde Inês, Marta e Alice almoçavam, era alvo de olhares furtivos por parte dosoutros clientes.

- O que é que vamos beber, meninas? Perguntou Alice, enquanto olhava distraidamente para a carta dos vinhos.

Ultimamente era assim. Viva numa ausência permanente. Parecia que nada a interessava embora se esforçasse, extraordinariamente, por parecer e agir com normalidade.

Marta olhou para ela e percebeu o afastamento da amiga. Pensou uma vez mais como haveria de recupera-la. Pensou que fosse mais fácil mas não estava a conseguir...
Alice era uma mulher deslumbrante. Alta e esguia a sua beleza era inquestionável. Mas padecia de uma incapacidade gigantesca de se abrir com alguém, preferia sofrer sozinha e nos últimos tempos era exactamente isso que fazia.

- Muito. Respondeu Marta.
- A mim parece-me bem, volveu Inês.
Riram-se com cumplicidade.
Havia algo de complexo que unia aquelas três mulheres tão diferentes umas das outras. Algo difícil de explicar.

Marta contava com Inês para a ajudar a recuperar Alice, e aquele almoço fora o pretexto ideal.
Como quase sempre, a conversa versava sobre os homens, o amor e sexo e a impossibilidade de conciliar tudo na mesma pessoa.

Marta olhou novamente para Alice e comoveu-se com o contraste entre o sorriso dos seus lábios a tristeza dos seus olhos …

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Telhados Alheios



"(...) pega no telefone e liga para o escritório, diz-lhes que não vou, conta-lhes que preciso de todos os minutos do dia, que 24 horas não chegam, diz-lhes que preciso de matar as saudades antes que elas se atrevam a aparecer.



Enquanto ligas, encho a banheira, deito os sais verdes que deixam a casa a cheirar a spa, vou entrar devagarinho porque a água vai estar muito quente. Hoje não, diz-lhes que sofri de um ataque de melancolia antecipada, que o coração pode parar a qualquer momento e que precisa de repouso.


Quando desligares vem para a banheira.Hoje não, a memória precisa de ser treinada, para que não se esqueça de nenhum dos pontos da geografia humana, quero tocar em cada centímetro de pele, para que os dedos se lembrem nos dias de abstinência, diz-lhes que precisamos de fazer amor, que precisamos de foder, para que os sentidos se alimentem para as noites que ai vêm.


Liga para o escritório e diz que preciso de me encher de afectos, de mimo e gargalhadas, porque o inverno será longo e mais frio do que o costume. Hoje não. Pega no telefone e liga para o escritório…"

domingo, 30 de outubro de 2011

The roof is on fire

Gatas à solta






















"Olhas-me a direito

fundo como a tua entrada em mim

as mãos nos meus cabelos

em fúria os corpos que se dão

em sim e não

gotas de suor de sémen em saliva


escorrem orgasmos


violentos suaves vorazes


lábios murmurios sussurros


tráfico de almas


sagrado o prazer com que me fustigas o rosto


as nádegas


o oposto


em melodias de anil


em segredo o desejo de sermos fonte

quando a água nos afunda em plano inclinado


a tua sombra sobre mim


rasga-me o ventre com espasmos de gritos roucos

desmaio em voos onde te resgato

de todas as vezes


sempre e cada vez mais dentro dos meus olhos


que me olhas

acaricias-me


s.e.i.o - a - s.e.i.o.


até o mamilo ir de encontro à tua vontade de s(ab)er

vagabundo este amor profundo.


Levanto-me, sorrio ao teu sonho de rei e vou com a musica."


Anamar (pseudónimo)

Sexo? Sim, por favor, mas com história, romance e beijinhos










quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Amante é Sempre o Ultimo a Saber




Descobri, um pouco tarde, que afinal todos os meus livros são
histórias de amor. Só que as daninhas estavam tão bem disfarçadas
que eu próprio não tinha reparado.




Tão sensacional descoberta levou-me a cogitar no seguinte:
e qual será a melhor forma de amar? Carente de modelos reais na vida
humana, decidi procurá-los na natureza. Com a ajuda da televisão,
claro, Canal Odisseia, National Geographic, Canal Panda, essas
coisas. Pode-se lá chegar à natureza, nos dias que correm, senão pela
televisão! Três rolos modelos logo me saltaram à vista: o Amor do
Louva-a-deus; o Amor do Cisne; o Amor do Urso Polar.




Após alguma esmiuçação, concluí que qualquer um me parece
bem, e tem as suas vantagens e desvantagens.





No romance do louva-a-deus, a fêmea devora o macho depois da
cópula. É natural, toda a gente sabe que a gravidez estimula o apetite.
E seria bem pior se ela o devorasse antes da consumação.




O cisne acasala para a vida. É bonito. Lembra certos parzinhos
que encontramos sobretudo na noite boémia, muito perfeitos, muito
encapsulados, o mundo é deles, o mundo são eles. Gosto, mas como
nunca experimentei sinto-me sempre um bocadinho do outro lado
da vitrina, a definhar de inveja.




Pronto, confesso. O que, esse sim, me toca profundamente é
o amor do urso polar. É esquivo, dura pouco – pelo menos a parte do
encontro.




Urso polar e ursa polar namoram e acasalam brevemente,
e logo se apartam, cada um para seu lado, para todo o sempre,
a fêmea talvez com uma cria, o macho continuando a sua caminhada,
glaciares fora, de nenhures em direcção a nenhures.




Vai solitário e triste, o nosso urso? Talvez. Eu gosto de pensar que
vai de coração cheio, e que a brevidade do encontro é compensada
pela intensidade da memória. Tanto quanto sei, não há ursos com
Alzheimer.





Rui Zink O amante é sempre o último a Saber

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Em telhados alheios




«Pense em mim por vezes como alguém a quem a lição da vida foi contada muito asperamente, mas que a escutou com coragem; como alguém que de facto o amava, mas que se odiava a si mesma tão profundamente que o seu amor lhe era odioso; como alguém que o mandou embora apesar de querer ficar com ele para sempre; que não tinha melhor esperança do que esquecê-lo, nem medo maior do que ser esquecida.»




in "Olalla"




Robert Louis Stevenson, "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde e outros contos", Assírio & Alvim, 2007

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Crónicas de uma vida em comum III



- Vieste aqui para falar ou para foder?

Marta olhava desafiadoramente para
Miguel. O cabelo desgrenhado, a pintura esborratada e a roupa por despir
deixavam-na com um ar selvagem e um pouco louco.
Estava viciada naqueles jogos.

Nunca na vida, Marta se havia
comportado assim. Tinha tido uma educação católica e toda a sua vida havia sido
pautada por rígidos princípios.
Princípios que a levaram, por diversas
vezes, a deixar tudo para trás e a começar de novo. Resiliente, forte,
obstinada.
Mas tinha-se cansado de ser honrada e
fiel aqueles princípios que quase acabaram com ela e com aqueles que mais
amava.
Era uma mulher intensa. Amava e odiava com
a mesma intensidade, não conhecia outra forma de ser. Era jovem, bonita e bem-sucedida
profissionalmente e tinha chegado a hora de devorar o que a vida tinha de
melhor.
Agora descobrira Miguel. Um homem que
ela sabia que nunca se iria apaixonar por ela e que de algum modo conseguia
lidar com aquela sua revolta que dizimava tudo em seu redor.
O sexo entre ambos era uma coisa instintiva.
Quando estavam juntos ficavam reduzidos ao que a espécie humana tem de mais
primário. Valia tudo.
Para Marta aqueles eram momentos de
verdadeiramente catárticos, em que ela se transformava num ser sôfrego e
exigente. Humilhava-o sem dó nem piedade e deliciava-se com uma ar rendido com
que ele olhava para ela naquelas alturas.

- Espero que tenhas melhorado a tua
ténica oral…da última vez deixas-te muito a desejar.

E com isto mergulharam, uma vez mais
naquela luta corpo a corpo. Medindo forças e tentando marcar território.
Por momentos Marta lembrou-se de Jaime
e de como com ele o sexo era diferente. Mas rapidamente afastou aquele pensamento
angustiante e tornou-se a concentrar em Miguel e no prazer que queria ter.
Afinal de que lhe havia servido tanto
amor?

sábado, 15 de outubro de 2011

Crónicas de uma vida comum II










Naquela noite Inês resolveu deitar-se mais cedo.

Sentia o coração a bater mais do que aquilo que conseguia suportar. A ansiedade era muita e não conseguia concentrar-se em absolutamente nada. As séries que passavam na TV já tinham sido vistas e o cérebro não desligava.

Paulo estava absorto nos seus pensamentos enquanto terminava um relatório importante para apresentar no dia seguinte na empresa onde trabalhava.

Inês precisava de se isolar e tentar controlar o fogo que a consumia.

Amanhã era um grande dia e tinha de rever todos os pormenores para que nada corresse mal.

Em 15 anos era o primeiro fim-de-semana que passava longe de Paulo.

A paixão muitas vezes leva-nos a correr riscos, a cortar com as nossas rotinas e a fazer coisas impensáveis.

Amava o Paulo incondicionalmente, mas não era a primeira vez que se apaixonava por outra pessoa. Amor é uma coisa, paixão é outra. Inês sabia perfeitamente a fronteira entre estes sentimentos e por isso queria aproveitar o melhor de cada um.

Amanhã ia para Madrid com o Marco. Tinha planeado tudo com alguma antecedência. Marco ia a uma conferência e Inês não podia perder a oportunidade de o acompanhar e aproveitar tudo o que a vida tem para lhe dar. Nunca tinha conseguido virar as costas a um desafio, e esta não seria uma excepção.

Marco tinha-lhe oferecido aquela viagem. Inês achava que o tinha feito com a expectativa de que após o fim-de-semana ela deixasse o marido e se atirasse de cabeça naquela relação.

Marco era o homem mais inteligente que alguma vez conhecera. Com apenas 25 anos tinha terminado o mestrado em Arquitectura e estava a trabalhar numa das melhores empresas portuguesas do ramo. No entanto, a sua ambição não o deixava perder-se naquilo que tinha conseguido da vida. Marco queria mais...muito mais. Queria uma vida sem horários, sem limitações...queria acordar e ir fazer surf para o Estoril...queria ter tempo para si...queria ganhar muito dinheiro com poucas horas de trabalho. Marco queria o melhor da vida...e isso incluía-a.

Inês sabia que o seu futuro nunca seria ao lado de Marco, apesar de se sentir bem com o facto de ter um homem como ele, completamente apaixonado, disposto a tudo para a conquistar.

Para além de inteligente, Marco era também o homem mais bonito que alguma vez vira. Não se importava de ficar horas a contemplar a beleza do seu rosto...a profundidade do azul dos seus olhos. Inês era obcecada por olhos azuis.



O sexo era absolutamente fantástico! Ele conhecia o corpo de Inês ao pormenor...percorria-o como se de um mapa se tratasse. Inês já não vivia sem aquilo...precisava daquele sexo como de oxigénio para respirar!

O fim-de-semana que se avizinhava ia ser muito bem aproveitado, até porque sabia que ia ser o último.

Ajeitou a cabeça na almofada, tendo o cuidado de não pressionar demasiado a pele dos olhos, prevenindo assim o surgimento de rugas indesejadas, e mentalmente reviu tudo o que tinha na mala de viagem. Se aquele fim-de-semana ia ser o último, tinha de ser absolutamente perfeito. Inês tinha preparado algumas surpresas para os dias seguintes.

Ouviu o Paulo a subir as escadas e fechou os olhos...controlou a respiração e fez os possíveis para que o marido pensasse que estava a dormir.

Inês tinha dificuldade em olhar o marido nos olhos desde que se envolvera com Marco. A culpa é caustica...e sabia que dificilmente ia conseguir lidar com ela muito mais tempo. O marido era a única coisa que a fazia prescindir de Marco. Mas essa decisão já estava tomada e portanto restavam-lhe apenas 48 horas, que não se compadeciam com qualquer tipo de mau estar.

Sentiu o marido a entrar no quarto e a dirigir-se a janela. Talvez fosse fumar. Inês já não se lembrava bem dos hábitos de Paulo. Não tem tido tempo, nem cabeça para entrar na sua vida.

Quando Paulo deslizou para dentro dos lençóis, Inês abriu os olhos inadvertidamente e encarou o marido de frente. Paulo tinha mágoa estampada no rosto. Talvez soubesse que Inês não ia para Madrid em trabalho como lhe fizera crer. Talvez soubesse que Inês tinha outra pessoa. Talvez a amasse tanto que não a condicionasse nas suas escolhas e lhe desse a liberdade de viver de acordo com as suas próprias regras.

Abraçou o marido com amor. Com muito amor. E naquele turbilhão emocional, lá conseguiu encontrar espaço para adormecer.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Crónicas de uma vida comum I






Lá fora a noite dorme silenciosa.


A madrugada aproxima-se devagar. as estrelas observam curiosas, como se estudassem matematicamente a lógica do Universo. De alguma forma, Paulo sente-se seguro com a presença permanente das estrelas...como se elas fossem as únicas responsáveis por manter a ordem e a estabilidade no seu dia a dia. Sim, Paulo não tem dúvida que o destino está escrito nas estrelas.


Abre lentamente a janela do quarto. É um homem jovem, demasiado jovem para carregar aquela angústia no peito.


Paulo não consegue explicar a origem daquele sentimento...como se carregasse o mundo nas próprias costas...como se uma força desconhecida o impedisse de olhar de frente para o lado bom da vida...uma força que o obriga a acomodar-se ás rotinas e à simplicidade do seu dia a dia.


Paulo desconhece a explicação desse estado de espírito. Mas sente-o. Convive intimamente com ele. Há demasiado tempo talvez.


Paulo é um homem novo que se sente velho.


É culto, inteligente, racional. Capaz de ponderar todas as suas decisões e com coragem para seguir sempre o caminho certo. Acha que tem tido sorte na vida.

Não é um homem audaz. Confia pouco nas suas capacidades. Tem pouca vontade de testar os seus limites.


Naquela janela, Paulo pensa no Amor. tende mais uma vez a racionalizar. Essa é a melhor forma de permanecer na sua zona de conforto.


Na cama, Inês, continua a dormir, alheia aos pensamentos do marido.


Ele observa-a por uns instantes, absorto por um misto de carinho e pena. Inês é uma mulher extraordinária que o acompanha desde sempre. é inteligente, companheira, confiável, e de alguma forma Paulo admira-a e respeita-a.


Mas Inês está longe de ser a mulher que Paulo idealiza. Está longe de corresponder aos seus desejos de menino adolescente.


Inconscientemente, Paulo sonha com uma mulher apaixonada, divertida, selvagem, independente...que o desafie, que o confronte, que lhe tire o fôlego...que lhe mostre diariamente que a vida não é só cinzenta.


Há muito tempo que Inês não o deixa suspenso na própria respiração.


Paulo não sabe se essa mulher existe. Se as estrelas que o observam lhe reservam alguma surpresa.


Volta a observar Inês...enche o peito com o ar refrescante da madrugada e sente-se purificado. Fecha a janela.


Paulo deita-se e inesperadamente Inês acorda sobressaltada e sorri-lhe. Envolve-o com os seus braços. Acolhe-o e Paulo sente-se novamente resignado à sua zona de conforto. O seu espírito continua a vaguear, para lugares inóspitos...lugares que só existem nos sonhos de um homem conformado.













segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Haja alguem que me perceba!








Não pode haver amizade entre homem e mulher.
Pode haver paixão, hostilidade, adoração, amor, mas não amizade.



(Oscar Wilde)

domingo, 9 de outubro de 2011

Stupid Little Thing Called Love






A Marta (nome fictício) pensa que o amor é fodido.

Mas por muito que respeite a Marta, o amor não é fodido.
(O desamor, esse sim, é do pior que há.)

Eu não posso chegar à vida da Marta, assim de repente e dizer-lhe que aquilo que hoje a magoa, será risível daqui a uns anos. Nem ela aceitaria isso. Existem dores que aos 10, 20 ou 40 anos, nos enchem os olhos de lágrimas e nos destroem o coração.

Eu podia tentar explicar à Marta que já passei pelo mesmo, que isto não é nada, que a dor que hoje lhe atravessa o peito, amanhã será apenas uma lembrança.

Não posso dizer-lhe que a sensação de culpa que hoje a consome amanhã será uma pequena cicatriz no peito.

Eu não posso chegar à vida da Marta e estragar-lhe a descoberta, que como qualquer descoberta terá de ser saboreada, lutada, sofrida

Não posso dizer-lhe que aquilo que sente é apenas uma dor...e que daqui a uns anos serão lembranças...umas vezes doces...outras amargas. Que o que não nos mata torna-nos mais fortes...dá-nos trunfos...ensina-nos a identificar o perigo e a virar rapidamente as costas às pessoas e situações que mais tarde ou mais cedo nos irão dilacerar ...

Podia dizer-lhe que Amor é muito mais (e diferente) que aquela sensação vertiginosa, de quem conduz a 200 na auto-estrada, de quem está à beira do precipício, de quem faz o looping na monta russa de olhos abertos...

Não há nada mais importante na vida que a serena sensação de termos ao nosso lado a pessoa que nos ama incondicionalmente...que estará sempre disponível para nos dar a mão quando não nos conseguimos levantar...que gosta tanto dos nossos defeitos como das nossas qualidades...que quer construir um futuro connosco e ao nosso lado...que está disposta a encarar qualquer desafio para garantir a nossa felicidade...

Mas eu não posso dizer isto à Marta...


Aquela dor é dela, é grande e é mesmo fodida. Não posso dizer-lhe que tome um comprimido ou um antibiótico...não posso dizer-lhe que só o tempo irá curá-la. É o processo...um processo que nos fode os dias...

Não posso dizer-lhe isso...porque ela iria olhar para mim, de sobrancelha erguida e iria achar que eu não percebo nada de Amor.

Não posso…porque estou desconfiada que a Marta tem razão…

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Mãe leoa


Ser mãe é o melhor do mundo...e também o pior.
Ter um filho é uma experiência dificil de descrever, ha sempre a tentação de cairmos em lugares comuns e dizer o mesmo que toda a gente diz.
Eu também não fujo à regra. Mas ha mais...
Desde que sou mãe descobri o melhor de mim, da minha capacidade de amar perdidamente outra pessoa, incondiconalmente e sem qualquer limite ou defesa. Ha vezes em que o amor pela minha cria é tanto que me doi. Quando a vejo a dormir e me parece tão indefesa, sinto-me capaz de tudo, de qualquer coisa para a proteger, para a defender e para a vingar!
Ao longo deste tempo descobri, também, que sou efectivamente capaz de tudo, mas tudo mesmo.
A minha cria é o melhor de mim, é a unica coisa que me mantém à tona, por ela faço o que for preciso, apesar de saber que um dia mais tarde todo este amor se pode virar contra mim, não me interessa, não consigo ama-la sem ser no limite.
Que a minha cria cresça feliz, saudavel e que um dia mais tarde consiga ela própria ser uma leoa.
Nessa altura poderei retirar-me tranquilamente, certa de que fiz tudo, mas mesmo tudo o que podia e devia fazer.
Por isso, deixo um conselho a quem quiser aproveitar: Nunca, em hipotese alguma, ataquem o que eu tenho de mais precioso, nessa altura não responderei por mim.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Em telhado alheio




"Se há algum problema em testar o meu (elevado) nível de resiliência em relação ao que sinto por ti? Não. Não há problema algum. Só consequências, nada mais. As pessoas podem tudo. Não podem é, no fim da linha, colocar um ar contristado só porque a felicidade [mais uma vez] lhes passou ao lado. Em bom rigor, se pensares, não há por ai muita gente a quem a vida tenha concedido segundas e terceiras oportunidades e se possa gabar disso. Mas enfim. As pessoas podem tudo e não há qualquer problema. Só consequências. Uma espécie de causa-efeito. Nada mais."

Virada do avesso





Estou farta de conversa. As pessoas, por vezes falam muito e demais. Mas de pouco ou nada serve um belo discurso se esvaziado de conteúdo ou expressão prática. É que as pessoas, mais do que pelas palavras, medem-se sobretudo pelos gestos. Pelo que fazem e especialmente pelo que não fazem em cada momento. Pela disponibilidade. E pelas escolhas. As pessoas também se medem pelas escolhas. Tal como os afectos. O amor ou a amizade nem sempre se revela em manifestações grandiosas (e pontuais). O amor e a amizade afere-se a cada dia, todos os dias, e sempre nos detalhes, nos pequenos detalhes.

Passamos uma vida inteira a guardar os outros e as coisas dos outros dentro do peito até ao dia em que percebemos que não há espaço para nós.



Tão simples quanto isso.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Incoerências


Se ha coisa que me irrita mais que um gajo merdoso, essa coisa é uma gaja merdosa!
Passo a explicar:
Existe um certo tipo de mulher (absolutamente desprezivel) que é encornada à grande e à francesa, pelos merdosos que vivem com elas. Mas as desgraçadas como têm a inteligência de uma galinha, comportam-se como tal. E então esgravatam, esgravatam até encontrar "a prova" da traição.
E aí minhas amigas, começa a novela mexicana! Elas berram, choram descabelam-se, gritam, ameaçam e depois...não fazem NADA! Ou melhor fazer fazem; Viram-se contra a "outra" e vai de insultos, presseguições, injurias, calunias, ameaças e outras coisas assim...finas!
Mas será que não ocorre às parvalhonas que a "outra" não lhes deve coisa nenhuma??? que não foi a "outra" que as enganou? que não foi a "outra" que lhes disse que iria ser sempre fiel? que não foi a "outra" que lhes jurou amor eterno?
Infelizmente a resposta é não, de facto não lhes ocorre nada disso...
Se não têm estomago para tomar uma decisão e dar aos merdosos a carta de alforria, então o melhor é fingirem que não sabem ou melhor, nem quererem sequer saber...
Pelo menos isto era o que eu faria!
Mas estas senhoras, do alto da sua (in)dignidade, acham-se no direito de fazer qualquer coisa e normalmente fazem...merda!
Isto porque insultar e chamar nomes tem consequencias...pois pior que uma galinha traida, é uma cabra advogada!!!

Uma imagem...mil histórias...







“Quem conheceu o delírio dificilmente se habitua à antiga banalidade."



[Ferreira Gullar]

Para comemorar...




E assim de mansinho...atingimos as 500 primeiras visualizações!



The roof is on fire!



As "gatas" agradecem o interesse demonstrado.












quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sexo oral


Ok, ok...aquelas alminhas mais sensiveis escusam de ler este post.
Isto é só para quem tem estofo, estamos entendidas?
Pronto, agora que já esclareci devidamente a minha extensa lista de seguidores, vou passar ao que interessa: É ou não é importante estarmos com um gajo que saiba fazer um minete como deve se ser, hum?
Aqui ha uns tempos vi um video (que hoje procurei desesperadamente e não encontrei) em que varias mulheres se queixavam de que a grande maioria dos homens não sabe fazer um minete.
Bom, eu como na altura tinha um que até caracteres arabes sabia fazer, não dei grande importancia...até em que apanhei pela frente, e sim literalmente pela frente, um gajo que tem tanto jeito para fazer minetes, como para fazer cirurgias cerebrais.
Mas é que voces não imaginam o meu desconsolo...depois de conduzir um ferrari, passar para um renault 5, é muito duro...
Mas acontece, minhas caras, acontece...e aconteceu-me a mim.
E eu juro-vos que tentei todas as formas de incentivo...mas a criatura NADA!
Sabem o que vos digo? havia de haver cursos on line para ensinar os gajos a fazer minetes!!!!

Lobo ou lebre?




"Só o desejo inquieto que não passa faz o encanto da coisa desejada, e terminamos desdenhando a caça pela louca aventura da caçada."



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Porquê?


" Estou cansada, cada vez mais incompreendida e insatisfeita comigo, com a vida e com os outros. Diz-me porque não nasci igual aos outros, sem duvidas, sem desejos de impossivel? E é isto que me traz sempre desvairada, incompativel com a vida que a gente vive..."

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

...MUNDO...



...dá-me uma folga OK??!!






Conversas curtas





Ela (amuada) : "Tu não queres fazer sexo comigo..."



Ele (condescendente) : "Há uma grande diferença entre querer e poder..."



Ela (manipuladora) : "Sabes a quantidade de rapazes que davam o rabinho e sete tostões para receberem uma proposta de sexo selvagem e sem compromisso, de uma miuda gira e sexy?!"


Ele (que já lhe conheçe as manhas) : "Bom...eu também gosto de receber propostas..."

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Para todas as invejosas que tem dor de corno!!!


"Se alguém se sente incomodado com a minha presença, é porque conhece o meu brilho, sabe da minha força, inveja o meu caracter e teme que os outros vejam o quanto eu sou melhor e quanto a minha alma é mais evoluída.
Não é a aparência, é a essência. Não é o dinheiro, é a educação. Não é a roupa é a atitude!
A ignorância gera inveja...sinónimo de incapacidade"

A vida é #*§*#%!!!!!



quarta-feira, 7 de setembro de 2011












A felicidade é saber o que se quer e querê-lo apaixonadamente.






Félicien Marceau



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Incoerências






...40 horas (e mais algumas) da minha semana são passadas com pessoas em fase terminal...a minha função é criar projectos de morte...preparar os doentes para a próxima etapa e capacitar a família e os amigos para continuarem cá sem aqueles que amam...perdi a conta do numero de vezes que já tive de dizer a um pai que vai perder uma filha, a uma filha que vai perder um pai...a uma mãe que brevemente vai deixar de conseguir pegar no seu filho ao colo...e é na porta do meu gabinete de 5m2, que vêm bater quando a vida se torna dura demais...convivo diariamente com o frágil equilíbrio do desespero e da (in)sanidade...da luta pela sobrevivência e a angustia de não conseguir continuar...e eu nunca, mas nunca verti uma única lágrima (nem sequer por solidariedade)...e ontem ao ver o "Querido Mudei a Casa", chorei descontroladamente com os gritinhos de satisfação dos concorrentes...


Mas que raio de pessoa sou eu?!



sábado, 3 de setembro de 2011

Para embalar...

As arvores morrem de pé


É verdade que desprezo todos os homens em geral e alguns em particular.
É também verdade que existem honrosas excepções de homens que eu admiro...homens não, provavelmente um homem, e sim é o meu pai.
Bem vistas as coisas é por ele e por causa dele que eu sou assim... exigente!
Porque ele me ensinou que, por ser mulher, eu sou mais importante e não posso admitir ser tratada de outra forma. E eu não admito mesmo!
Ensinou-me que as mulheres têm que ser respeitadas e em primeiro lugar por elas próprias.
Ensinou-me que os maiores bens que podemos ter na vida são a nossa honra (a nossa, ok? e não aquela honrazinha medi0cre de não ir contra o que está instituido), o nosso sentido de justiça, a lealdade incondicional para com a familia.
Ensinou-me a nunca esquecer, quem nos faz bem e principalmente quem nos fez mal...ou aos nossos.
Ensinou-me a ter orgulho sem soberba.
Ensinou-me que podemos partir, mas em caso algum vergar.
Ensinou-me que o pior defeito é a cobardia.
ensinou-me, através do exemplo, como todos os homens devem tratar as mulheres.
E por isso eu não tolero faltas destas caracteristicas num homem. Alguns tolero de forma condescendente, porque coitados...não houve quem os ensinasse...mas outros...ai, ha outros que como que me pedem para lhes dar uma lição...
E por mais alto que seja o preço, por mais que seja odiada, vilipendiada e injustiçada não deixeirei nunca de fazer aquilo que para mim é correcto e justo.
Como ele muitas vezes me diz : As arvores morrem de pé!
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

The roof is on fire



Karen: If you’re gonna have sex with someone and you knew it would be the absolute last time… what do you think it would be like?

Hank: I think it would be incredibly sad.



Karen: Yeah, so do I. Make me sad.



Californication (completamente viciada nesta série)







terça-feira, 30 de agosto de 2011

Snif...Snif...



Sou uma péssima jogadora...aposto sempre o coração inteiro...mesmo quando tenho a certeza de que vou perder a jogada...







segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pratos frios


A vingança é, efectivamente, um prato que se serve frio.
Aliás quanto mais frio melhor...
Nada se compara ao prazer de preparar uma bela e sucolenta vingança.
Primeiro começamos por escolher o ingrediente principal. O que normalmente não é dificil, certo?
Depois devemos planear, pormenorizadamente, de que forma vamos cozinhar a nossa vingança.
Não pode haver pressas ou precipitações, sob pena de a vingança encruar.
Todas as etapas requerem tempo, disponibilidade e acima de tudo paciência! Sim, porque é impossivel uma vingança decente sem uma boa dose se paciência.
Depois de devidamente cozinhada, podemos deliciarnos calma e tranquilamente com a nossa vingança, devidamente acompanhada de um tinto encorpado...e que bem que sabe!!!!

Coisas que fazem sentido...



'Se insistirmos em voltar ao que já passou, acabaremos com mil passados e nenhum futuro."

















terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ouvidos de mercador...

http://youtu.be/L8aYZGpTabQ

Cor

A minha vida é quase sempre pintada de cores garridas, fortes...daquelas que maogoam os olhos e fazem disparar o coração.
Daquelas que nos enervam e não nos deixam sossegar.
Que nos excitam.
São intensas.
Mas afinal do que me posso queixar? A minha vida É colorida!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Call me...

Não interessa a quantidade de vezes que tentamos, o esforço que fazemos...a atracção dos pólos multiplica-se exponencialmente pela distância que queremos manter!

Não vale a pena tentar desviar os olhos, manter as mãos quietas, engolir as palavras, fingir que o sexo é uma merda...

A vontade que a noite se prolongue contra todo o bom senso é mais forte que qualquer boa intenção...é uma luta de perder o fôlego contra o inevitável...


Being good isn`t always easy...

sábado, 20 de agosto de 2011

Não diria melhor...


Por outras palavras...


[pic284.jpg]



É também o que eu saboreio no Amor, em todas as formas de Amor: saboreio a presença física, saboreio o presente e o corpo. Sim, os homens são como crianças grandes. Partem, e eu não os retenho. São livres - tomam liberdades, não há Amor, só há provas de Amor, não é?
O corpo é a única prova de Amor - ou não. Não é a única: os homens livres podem partir, e por vezes ficam.
Eis a mais bela prova de Amor: assumir a liberdade de ficar quando se poderia partir."


In Naqueles Braços de Camille Laurens

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Unhas de Fora...2012







 
 










Livro de cabeceira



"Quando um actor representa o papel de alguém que está a desmoronar-se, fá-lo com organização e coerência; quando é ele próprio que está a desmoronar-se, e representa o papel do seu próprio fim, isso é outra coisa, uma coisa transbordante de terror e medo. (...) Gritava alto quando acordava a meio da noite e se via ainda aprisionado no papel do homem privado do seu próprio ser, do seu talento e do seu lugar no mundo, um homem desprezível que não era mais do que o somatório dos seus defeitos. De manhã escondia-se na cama durante horas, em vez de se esconder daquele papel, estava simplesmente a representar aquele papel. E, quando por fim se levantava, a única coisa em que conseguia pensar era no suicídio, e não apenas na sua simulação. Um homem que queria viver interpretando o papel de um homem que queria morrer. (...) Tento esquecer-me de mim pelo menos um minuto por hora. Sempre tive a secreta suspeita de que não tinha talento nenhum."

Por outros telhados

"O meu mundo não é como o dos outros!
Quero demais, exijo demais.

Há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que nem eu mesma compreendo.

Pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada,
com uma alma intensa, violenta, atormentada.

Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade...
sei lá de quê!"

[Florbela Espanca

pic38


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

The beast...

Ha uns tempos descobri uma coisa interessante.
Na sequência de mais uma desilusão amorosa, e tendo em conta que já não caminho para nova, resolvi tomar as rédeas da minha vida.
Pensei, chorei, berrei, descabelei-me, até que percebi onde residia o problema: eu tinha sido uma vítima a vida toda. Mas não dos outros, que eu não menina para isso. Não, eu tinha sido uma vítima de mim própria e dos meus sentimentos. E dessa forma vivi condicionada, subjugada por uma moral que me foi incutida desde que me lembro.
Mas, como tudo o que é demais enjoa, para mim tinha-se acabado!
Precisava de exorcisar os meus demónios, libertar o meu lado mais negro. Sem culpas ou recriminações.
Se assim o pensei, melhor o fiz...e quando a oportunidade me surgiu eu aproveitei-a...contra tudo e contra todos, deixei-me levar pelos meus instintos mais básicos. Pelos mesmos instintos que estavam recalcados, mas sempre a assombrarem a minha consciência.
Que não me deixavam ter paz e me faziam sentir que não estava à altura.
Que faziam de mim uma alma atormentada.
Depois de libertada a fera, sei que dificilmente voltarei a conseguir enclausurá-la...
Mas será que quero? I don't think so...
Pela primeira vez, eu não fui a vitima...fui a vitimadora e gostei!